O Papel e a Indústria Gráfica nas Eleições
Mesmo com o crescimento das campanhas digitais, o material impresso continua ocupando um espaço importante durante as eleições. Santinhos, folhetos, colinhas, cartazes, volantes e folders ajudam candidatos e partidos a apresentar números, propostas e informações de forma rápida e acessível aos eleitores.
Esse movimento também gera reflexos diretos na cadeia do papel e na indústria gráfica. A demanda fica concentrada em um período relativamente curto, exigindo planejamento antecipado, disponibilidade de matéria-prima, capacidade produtiva e agilidade para atender grandes tiragens dentro dos prazos da campanha.
Um levantamento da ABIGRAF sobre as eleições municipais de 2024 mostrou que 37,2% das empresas participantes produziram materiais para campanhas políticas. Entre as gráficas que atenderam esse mercado, metade registrou crescimento de aproximadamente 20% no faturamento durante os meses de campanha, em comparação com um período normal.
Os santinhos foram os impressos mais produzidos, presentes em 93,1% das gráficas que trabalharam com materiais eleitorais. Na sequência apareceram os folhetos, produzidos por 84,5% das empresas, e as colinhas eleitorais, com 69%. Cartazes, adesivos, volantes, folders, revistas, bandeirolas e outros materiais também fizeram parte dessa demanda.
Outro dado ajuda a dimensionar a relevância desse mercado. Segundo levantamento realizado com base nas prestações de contas disponibilizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral, os gastos com materiais impressos, somando produtos em papel e adesivos, ultrapassaram R$ 900 milhões nas eleições de 2024.
Para 2026, com aproximadamente 158,7 milhões de pessoas aptas a votar, o setor gráfico volta a se preparar para uma nova demanda por materiais de comunicação eleitoral. A propaganda impressa pode ser distribuída até as 22h do dia anterior à votação, respeitando as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Todo material gráfico precisa apresentar o CPF ou CNPJ da pessoa responsável pela confecção, o CPF ou CNPJ do contratante e a respectiva tiragem. Essas informações tornam a produção gráfica uma etapa diretamente ligada à regularidade e à transparência das campanhas.
As eleições de 2026 também trazem uma novidade importante. Nas campanhas para presidente, governador e senador, parte dos folhetos e volantes deverá ser produzida em Braille, considerando o percentual de eleitores com deficiência visual existente em cada localidade.
Para as gráficas, o período eleitoral representa uma oportunidade que exige preparação. Definir o papel adequado, calcular as tiragens, organizar os formatos e planejar a produção com antecedência ajuda a reduzir perdas, melhorar o aproveitamento dos materiais e cumprir prazos que costumam ser bastante curtos.
A escolha do papel influencia diretamente a qualidade, a resistência, o acabamento e a eficiência da impressão. Cada aplicação pode exigir características diferentes, desde materiais leves para distribuição em grande escala até peças com maior presença visual e durabilidade.
Mesmo em uma comunicação cada vez mais conectada, o impresso mantém sua força por chegar diretamente às mãos do eleitor. Quando produzido de forma planejada, ele informa, facilita a identificação dos candidatos e complementa as estratégias utilizadas nos meios digitais.
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